segunda-feira, 28 de julho de 2014

Contraditoriamente conforme

Você se cala e eu me falo.
Você é o meu calor escondido por trás
Do meu eu frio.
Vocé é o poema que rima com 
meu poema sem rimas.

Você é a pessoa que me irrita, me esfria 
Enquanto na verdade está me acalmando
E aquecendo meu gelo.
Tão próximo e tão distante, 
Você é o concreto do meu abstrato.

Vive para despertarme-me enquanto me entorpece.
Te quero o mais próximo possível de mim
Na maior distância que possa existir entre nós!

Você adimira tanto todas as minhas 
cores do mesmo tom de pálido, 
Isso me instiga, me dá raiva amando, 
Me sufoca carentemente.
Preciso daquele espaço entre o mais próximo de ti.

Te quero por não te querer.
Te queria por não me querer.
Ao mesmo tempo que te desejo, te rejeito.
É tão familiarmente previsível por eu conhecer-te há tanto,
Mas é um completo desconhecido pra mim.

Essa instabilidade estável
é tão confusamente monótona
Que me deixa descofortavelmente corfortável
Nessa sua paciência inquieta.

Tão parecido e tão distinto,
Você é o mais distante 
E o mais próximo do que desejo.
Você é o mais do meu eu menos,
Mas nessa equação, 
Mais com menos dá mais.

(Giuly Biancato - 16 anos)