quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Estômago

Sabe aqueles dias frios
Que não sabemos como respirar?
A geada vem bem de mansinho
Com as asas das borboletas a girar
Dentro do meu estômago.

Paralisa os joelhos
Quando há o encontro no olhar,
Não sei se é agora ou mais tarde
Que isso vai funcionar...
Talvez só quando a noite acordar.

A marca de batom na fumaça do cigarro
Em tons de cinza,
Um tom no contrabaixo.
Em dias cinzas
Os bêbados saem para as ruas
Gritar poesias.

Somente os dedos de um músico
Conseguem se mexer na Cidade Frio.
Uma entrega,
Um pacote vazio,
Um beijo gelado,
Um calafrio.

Na estrada há um trem,
No asfalto alguém vem
Contar que hoje
A noite vai gear.

A marca de batom na fumaça do cigarro
Em tons de cinza,
Um tom no contrabaixo.
Em dias cinzas os bêbados saem para as ruas
Gritar poesias.
Gritar que a noite vai acordar
Com o olhar a entregar
Todo o meu frio.

(Giuly Biancato - 18 anos)

Universos Condensados

Ela anda achando que o mundo não é seu
Ela anda achando que nada lhe pertenceu.
Como nuvens, tudo escapa de sua mão.
Com a chuva, o mundo pinta o chão
De luzes nesta noite quente,
Tudo o que vê à frente
É onde pode se agarrar,
Se segurar
E esperar...

Tudo parece estar por um pequeno fio,
Como um botão acionado pela mão
A vida gira
Como um carrossel,
Mas ainda bem que tenho o seu mel.

Em um toque,
Por favor troque
Em universos condensados.
E num toque,
Por favor troque
Em universos.
Unindo os versos,
Tudo se faz perto,
Claro e quente
Como o sol.

Ela anda achando que pisa em falso
Ela anda achando que tudo está exausto
De cantar por este lugar,
De se encantar com este luar
Ao procurar um outro mar.

Mas e num toque
Por favor me mostre
Como é se achar.
Em um toque me segure
Para não desabar.

Unindo os versos,
Tudo se faz perto,
Claro e quente
Como o sol.

(Giuly Biancato - 17 anos)

Anacruse

Na anacruse de meu tempo
Sempre chego antes mesmo de estar.
Quando olho sem ver,
Pode saber,
Flutuando no futuro instante,
Instavelmente a viajar.

Me pego vendo que,
Neste instante, instou
Na instancia do instante
Entre ventos e sóis.
Pois gosto das coisas
Em seu estado esvoaçante
Como as palavras
De um instante.

Nunca estou,
Instou.
Até tudo desabar
Pela bomba do tempo.
Quando desaba,
Voltar quero a viajar,
Mas na métrica ainda estou
A frente de entrar,
Chorando pelo que não chegou,
Chegando onde ainda não se mostrou
Destino.

(Giuly Biancato - 18 anos)

Estrelar

Mundos e astros pendurados,
As gotas do leite despejado,
Por fios em pêndulos
Rodeiam minha cabeça
Querendo mostrar que ainda estão lá.

Dão me as boas vindas
Ao ar puro,
À noite,
Ao que não se vê,
Ao desligar-se do ritmo.

Só se mostra a quem se apaga:
Ao acender a luz, se escondem
Da insanidade do mundo
Que, aceso, se desliga
Do que realmente reluz.


(Giuly Biancato - 18 anos)

Carta de um violão

Passo meus dias tentando decifrar o código do nosso encontro e descobrir a fórmula para poder sempre reconstruir a balsa quando ela ameaçar apodrecer.

Seria o fogo do sol que aquece nossa pele ou o frio que nos aproxima? Seria o movimento das ondas ao vento ou seria ou tato que sente o outro ao lado?

Será a música que nos guia para a costa?
É sempre o som que vai construindo em passos, e a cada passo entro e mergulho.

Como no sino, o vento conduz a melodia. O vento que se abriga em nossa inspiração e que move a vela na vastidão negra do mar. Nesta casa você já esteve, pois na história já está escrito, como o entalhe que você me fez, em códigos tão profundos não estabelecidos em apenas uma jornada.

Nunca se esqueça que você pode construir minhas curvas em madeira e som, que no oco desta casa você pode se encontrar e se abrigar da tempestade.


(Giuly Biancato - 17 anos)